domingo, 19 de março de 2006

Ouve-se o Mar

Foto by Paulo Oliveira

Agora
Que a chuva cai devagar
Lá fora
E a noite vem devorar
O sol
E tudo fica em silêncio
Na rua
E ao fundo
Ouve-se o mar
Agora
Talvez te possas perder
Devora
O que a saudade te der
A vida
Leva pra longe pedaços
Do tempo
Deixa o sabor de um regaço
E ao fundo
Ouve-se o mar
Agora
Que a água inunda os teus olhos
E o mundo
Já não te deixa parar
No escuro
Voltam as estórias perdidas
Na alma
Onde não podes tocar
E ao fundo
Ouve-se o mar


Woman in Black


Foto by Sandra H

Porquê?


Aquele dia...
Aquele dia em que te vi,
pela primeira vez.
Porquê eu?
Poderia ter sido outro qualquer...

Força 7

quinta-feira, 16 de março de 2006

Terras de Lava


Foto by Rui Vieira

quarta-feira, 15 de março de 2006

A ponte é uma passagem...



Foto by Alexander Dugaev

terça-feira, 14 de março de 2006

Balada do doente terminal


A areia escorre-me por entre os dedos. Caminho pelo crepúsculo, em direcção do horizonte.
Cada grão de areia está habitado pelo espírito do deserto. Cada poro da minha pele bebe a fria luminosidade das estrelas e o arrepio da noite.
Entre o corpo que se degrada e a morte; a grande morte, a última; deve haver ou começar, outra coisa. Um lugar qualquer onde possa viver e morrer sem dor. Um lugar feliz.
Pensava eu que a felicidade deveria estar escondida naqueles momentos de perturbação em que me descobria no teu olhar. Enganei-me, passei a vida a enganar-me.
É tarde. Apago-me vagarosamente.
Deus talvez esteja no fundo do mar, na claridade das águas.
Dentro de mim sinto a melancolia da areia lavada pelo seu movimento invisível, eterno.
Al Berto

Porque há quem precisa


Foto by Rui Corte Real

Read My Eyes


Foto by Funk Christien

Punch me



Foto by Aleksej Kozak

segunda-feira, 13 de março de 2006

Que a noite venha...


Foto by Paulo César
Que a noite venha e me cubra
E que a noite seja paz
E que a paz sejas tu
E a noite o teu corpo
E o teu sono o meu sono
A tua mão na minha mão.
Que a noite
Teu corpo sólido que procuro
E onde me escondo
Seja a noite dos amantes
Corpos que repousam
E encontram um no outro
Um novo amanhecer

Evanescente

Conversas


Foto by SMZAR

Woman in Black


Foto by Vladimir Boroev

domingo, 12 de março de 2006

Poente


Há um tempo em que o tempo pára,
em que o Sol vai fazendo ouro no fim do dia,
em que a areia fica macia como seda,
em que o ar tem outro peso e outra cor.
Há um tempo de ouvir o mar chegando
morrendo devagarinho na praia,
cantando preguiçosamente o princípio da noite
e enchendo de sossego o momento mais doce.
Há um tempo de voltar para terra
de sentir o corpo doendo,
de baixar a prancha e ver o reflexo das ondas navegadas
e as que continuam por navegar.
É esse o tempo mais bonito
é esse o tempo que fica dentro de nós
é o tempo em que o mundo adormece
é o tempo que deveria ficar para sempre.

T.

Descanso Familiar


Foto by Fernando Dinis

Mulher



Foto by Ilya Shubin
Vale mais a mulher que se espera
Ou vale mais a mulher que se dá?
Nem sempre a primeira é sincera
Nem sempre a segunda é má.
Vale mais a ilusão do amor
Ou vale mais o fogo da paixão?
Por vezes a espera prolonga-se em dor
Por vezes a entrega é um acto de amor.
Vale mais viver em mentira sempre
Ou viver um momento de verdade?
A mentira destrói a alma da gente
Que se alimenta de sinceridade.
Vale mais olhar com preconceito?
Vale mais admirar cada ser
Cada mulher tem o seu jeito
Tem capacidade de surpreender
Mulher sincera e delicada
É sempre um amor de mulher
Por mim será sempre admirada
E viverá como quiser.

Autor desconhecido

Ilhas de Bruma


Foto by Ana Maria Abrão

Luzes da Noite

Boa Vida


Dia de sol sem nuvens, já a lembrar que a Primavera está quase aí!
Atravessámos a ponte, de vidros abertos e com as colunas a debitarem Jack Johnson “In Between Dreams”.
Ultrapassámos a Caparica cheia…de gente sedenta de mostrar a face aos primeiros raios de sol. Logo á frente fica a Fonte da telha, outra praia também com esplanadas, também desorganizada, também com gente em passeio de fim de semana, porém com zonas menos acessíveis e portanto mais tranquilas.
Estacionámos por lá, para lá das zonas onde param os pseudo-betos destes fins de semana. Elas de saltos atolados na areia de acesso à esplanada…eles exibindo o pólo “Lacoste” e os “Rayban” comprados no Freeport. Para ambos, o fim de semana não é um prazer…é uma exibição das suas vaidades.
Passámos á frente e caminhámos pela beira da água, para o fim do horizonte. No início ainda circulam famílias que aproveitam a praia para alargar os horizontes dos filhos, atletas quase profissionais na “corridinha na praia”, casais de namorados e de acasalados, passeadores de cães e outros que como nós, simplesmente apreciam estar ao pé do mar.
Quando essa zona populosa começou a desaparecer e a praia ficou mais “pura” sentámo-nos na areia a falar de tudo e de nada. Apeteceu-me mergulhar…mas fiquei-me pelos tornozelos, que a água até doía!
Num instante o sol começou a roçar o horizonte e logo o ar ficou mais frio, convidando a vestir a camisola de lã. È nesta altura que a praia fica mais bonita…em tons de vermelho e nós ali na esplanada, quase vazia, com as nossas camisolas de lã e uma meia de leite fumegante a aquecer-nos as entranhas.

Azul Profundo


Foto by Dagoberto

Força 7

Este Povo da Ilha


Este o povo que nasceu no mar. Veio-lhe o sangue
do sal. Suas veias boiaram outrora
entre cabeleiras de algas e fungos de basalto.
Abriu-se-lhe a boca no remoto esquecimento
dos búzios. Memória são as conchas desertas
o calhau rolado arenoso silêncio sobre rocha.
Gerado talvez entre o grito enfermo das baleia

se o rasto dos navios. Pois este o povo
se (re)conhece entre areia e mar
no preciso instante em que a pedra
e o corpo se tocam e amam
a água
E por isso os peixes

nos atravessam os olhos
a nado
Viajam entre nós

e a certeza do corpo.

João de Melo

sábado, 11 de março de 2006

Terras de Lava

Foto by Carla Maio

quinta-feira, 9 de março de 2006

Read My Eyes


Foto by Xmaya

Lisboa ComVida

quarta-feira, 8 de março de 2006

Tentação


Vénus lançada à praia pelo mar inquieto,
Inquietas os meus olhos, sátiros cansados.
Vem de ti uma luz que o sol não tem,
E sozinha povoas o areal.
Que me queres, nesta idade sonolenta
Dos sentidos?
Lembrar-me e convidar-me a renegar
Os desejos despidos?
Como se algum poeta se esquecesse
E arrependesse
Dos antigos pecados cometidos.

Miguel Torga

Porque há quem precisa


Foto by Elsa Mota Gomes

Guardador da Ilha


…talvez seja por isso que nunca durmo. Mantenho-me acordado durante a noite ou caio dentro de uma espécie de limbo sonolento. Ouço e vejo tudo o que se atravessa no feixe luminoso do farol.
Sou muito velho, quase tanto como o farol. Vi muitas coisas, posso contar todas as histórias que me vierem à cabeça.
E não abandonei, nunca o meu posto. Continuarei aqui, rodeado pela escuridão do mundo, atento ao que nasce inesperadamente, debaixo da luz. Repito os gestos dos meus antepassados, e é nessa perenidade de gestos repetidos, exactos, que se prolonga a solidez do farol.
Quando a tempestade o sacode desde os alicerces, e o mar ressoa pelas escadas acima, fico tranquilo; porque sei que depois da minha morte, à hora certa de o acender, dentro de mil anos, tudo será executado minuciosamente, como acabo de o fazer.
Al Berto

domingo, 5 de março de 2006

Palavras que choram


Palavras que choram
são lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
são sentimentos que do coração saem.
É dor que sai do nosso coração
é paz que alivia a nossa alma
é o fim de um furacão
e o começar da calma.
É sossego que invade o nosso ser
é vazio que se sente no peito
são lágrimas pelo rosto a escorrer
por algum mal que nos foi feito.
Lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
e que quando do coração saem
são palavras que choram


Madalena Santos

Descrente

Foto by Mário Ferreira

sexta-feira, 3 de março de 2006

Woman in Black



Foto by Jeka Walkerd

Força 7

Read my eyes


Sinto falta dos teus olhos
Sinto falta do teu olhar
Sinto falta do teu olhar junto do meu
Sinto falta de olhar contigo na mesma direcção

Ilhas de Bruma

Rendição


Percorro o mundo
mas volto a ti
porque é no teu seio
que está meu refúgio.
Contemplo flores
mas é no teu colo
que encontro o mais belo
jardim da vida.
Tudo que escrevo,
tudo que falo, tudo subjaz ao que faço
mas o que sou é
essencialmente construído por ti.
Eis-me aos teus pés, senhora.
Tua vida me faz homem
mas é o teu amor que me
transforma poeta.

Luzes da Noite

quinta-feira, 2 de março de 2006

Ventania



Foto by Tarmo Pekola

Lisboa ComVida


Foto by Carlos Afonso

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
As gaivotas doutros dias, barcos, gente
Apressada ou com o tempo todo para perder,
Esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
Rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
Nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 1 de março de 2006

Azul Profundo



Foto by Vitor Lopes

Terras de Lava


Foto by João Viegas

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Saudades do Carnaval

Nunca fui grande “folião”, mas mesmo assim tenho saudades do Carnaval de há uns anos atrás.
Tenho saudades do baile do Amor da Pátria e dos nossos grupos fantasiados a rigor…nunca ganhámos o prémio mas a competição era engraçada e arranjávamos as mais elaboradas técnicas de contra informação para mantermos a nossa fantasia em máximo sigilo até à grande noite.
A própria constituição dos grupos exigia uma apurada técnica de negociação, onde os elementos do núcleo duro do grupo tentava seduzir outros participantes que pela sua boa disposição ou status fossem uma mais valia para a apresentação desse ano. Chegava a haver um autêntico mercado de transferências.
Tenho saudades do baile do Faial Sport. Era mais ao estilo Carnaval Trapalhão, com fantasias individuais, mas era um ponto alto entrar no pavilhão do clube adversário, para além de que era um baile que nos permitia mais liberdades nas artes do namoro, ao contrário do Amor da Pátria onde costumava ir a maior parte dos pais e amigos dos nossos pais.
Mas do que mais tenho saudades é dos nossos assaltos de Carnaval!
Invariavelmente realizados em garagens, apenas para grupos bem definidos onde quase que era preciso palavra passe para entrar e nunca excedendo as 20 ou 30 pessoas…obviamente que uniformemente e estratégicamente distribuídas pelos dois sexos.
As raparigas levavam os comes e nós os bebes.
A música era criteriosamente seleccionada: os hits da pop dessa altura, algumas músicas de Carnaval e...muitos slows, pois claro, que os pares já se vinham adivinhando há algumas semanas e era nestes assaltos que tudo começava.

Força 7

Ilhas de Bruma

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Está frio


Este fim de semana o frio apertou.
Neve, estradas cortadas, gorro e luvas durante o dia...edredon de penas á noite.

À espera



Não se exila o coração, antes de partir
deixá-lo-emos suspenso no alto duma falésia
debruçada para o mar
e ele continuará batendo
aos acordes do vento e das marés
e tão ajustado ao corpo que lhes pertence
que a única distância possível entre eles
será sempre a do tempo que medeia
entre a ausência e o regresso.


Hugo Santos

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Woman in Black





















Foto by Dimitry Baranov

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Sábado de chuva


Foto by MF Coutinho

Hoje o dia amanheceu assim…chuvoso e frio, a apetecer ficar em casa.
Mas é dia de trabalho, Sábado de trabalho…Sábado escuro, frio, chuvoso e de trabalho!
Os Sábados deviam ser sempre dias bonitos, claros e azuis…e nunca se devia trabalhar ao Sábado.
Devíamos sempre passear aos Sábados, jantar fora, ficar até tarde numa esplanada. Ou então andar de bicicleta pela marginal, fazer um piquenique, ir á bola com os amigos e ao cinema com a namorada…o Sábado é o dia ideal para namorar, andar de mão dada por aí, sem pressa, fazer um programa surpresa, um jantar romântico, uma noite de amor…
Mas este Sábado está escuro, chove, faz frio e…estou a trabalhar!!!

Azul Profundo


Foto by Pedro Veríssimo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Ilhas de Bruma

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Xeque Mate


Foto by Bertsy30