sábado, 10 de dezembro de 2005

Lua














Desenha-se no céu a lua nova,
límpida, casta, tenra como um gomo
de um alto, doce e sumarento pomo
que a gula adeja, violenta e prova.
Vem doutra lua, sonolenta,
com versos gastos, poeirentos, frios;
vem com seus bicos doutros céus vazios
onde a seiva cansada não fermenta.
Puro crescente branco da vontade,
enquanto a noite, horizontal, ressona,
mais se precisa, mais exibe à tona
a sua genuína mocidade.


Miguel Torga